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O que foi, amor? Nada não!

Ontem ele me perguntou se havia algo de estranho comigo. Respondi com o clássico: nada não! Mas será que ele não percebe o que há de errado? Pior. Ele acredita que de fato nada está acontecendo. Passivamente, ele aceitou a mentira.

Mas como assim nada não? As ligações constantes acabaram. Viraram protocolo. Não há mais o sentimento de preocupação após horas sem nos falarmos. Nem mesmo aquele simples toque para perguntar: você está precisando de mim? Talvez nosso amor tenha esfriado.

A mão que repousava sobre as minhas pernas enquanto dirigia, hoje não existe mais. Elas estão firmes no volante ou no CD Player para trocar até mesmo a música que embalou nosso início namoro. Nem os três minutos da canção – ou nosso hino – ele suporta mais. Talvez a sintonia tenha acabado.

Os beijos exercem exclusivamente o prenúncio do sexo, que virou ato rotineiro. Nosso tesão adolescente deu lugar ao compromisso de um casal. O gozo é a chave da cela. O habeas corpus da alma. Atende ao exclusivo prazer unilateral, egoísta. É… talvez a nuvem do encantamento esteja se dissipando.

No momento em que estou debulhada nesse mar de dúvidas, uma mão embaixo da minha blusa me traz de volta ao mundo real. O beijo molhado em minha orelha arrepia cada pelo do meu corpo. As unhas lascadas passeando pelas minhas costas acendem o meu desejo. Sem eu perceber, ele estava ali há horas tentando me tirar desse fosso existencial.

Quando viro ao encontro de seu rosto, sou recebida com um beijo acompanhando simultâneamente de um sorriso. Como eu poderia resistir? Como eu poderia formular conclusões tão precipitadas? Nosso amor mudou, não é mais aquele amor adolescente. É fato. Percebo agora um amor maduro, erótico, benévolo. Talvez eu esteja refém de hábitos antigos, que acabam me cegando para as novas formas de amor.

Como boa mulher que sou, sofro desta ansiedade aguda crônica. Sou capaz de enxergar no fim a luz do recomeço. Inconstância é meu sobrenome. Ah, e quanto ao “nada não”, no fim das contas, era a maior verdade que eu poderia proferir.

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