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Archive for agosto \23\UTC 2012

Marionetes sexuais

Morar sozinho. Assim como ter barba, eu sonhei um dia. Ambos quando chegaram, reclamei. É o que a gente faz com tudo que deseja. Dizia Nelson Rodriques que o desejo é triste. Como não concordar? O prazer da independência acaba na primeira sexta-feira fria. A solidão se junta à louça suja como fiel escudeira. A penumbra se instala. Meia luz, meia consciência.

Ao bar ao lado me lanço. É a roleta russa da noite. Oito ou oitenta. A volta para casa reserva apenas duas possibilidades radicais: companhia efêmera ou ainda mais solidão. É preciso ter coragem para apostar. E eu tive. Ao chegar, pouca luz. Minhas pupilas dilatam. São meus olhos se acostumando. Minha mente acompanha o processo de adaptação e me situa que, diferentemente das boates onde as pessoas se escondem atrás de sorrisos falsos e muita maquiagem (a melhor das mentiras), aqui é preciso diminuir a luz. Trata-se da máscara dos adultos, é preciso esconder as expressões, na maioria das vezes, sofridas. Meia luz, pouca lucidez. Leia mais…

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Um lugar para chamar de seu

Por Paulo Vitor Bernardo

Todo mundo, por mais que digam o contrário, precisa de um lugar pra chamar de seu. Não me limito a espaços geográficos, físicos ou delimitados – qualquer lugar, é lugar. E tampouco me limito a questões cronológicas: um lugar que hoje você chama de seu, amanhã pode lhe parecer estranho e assim por diante.

Acredito que nós, seres humanos, somos totalmente adaptáveis a quaisquer condições que nos ofereçam – as boas e também as ruins. Obviamente as boas são sempre muito mais bem-vindas! E que sejam. Sempre!

Dividir um sonho, sonhar um amor, partilhar uma angústia, multiplicar o dinheiro – só assim pra sobrar no fim do mês – fazer compras de supermercado, dias nublados, noites de calor, cama desarrumada (…) Quando imagino em “um lugar para chamar de meu”, penso em um lugar que – um dia sequer – todos deveriam conhecer: o amor. Leia mais…

Prostituição afetiva

A cama grita e me lembra que estou dentro dela. Não fosse seu sorriso mágico, o sexo ia passando despercebido. Ela é minha cliente. Isso mesmo, eu vendo meu corpo. Mas espere, não me julgue, você é, já foi ou será como eu: um(a) garoto(a) de programa.

Sobre mim, ela baila, brinca, caçoa da minha condição e, deliciosamente, reina absoluta. Sem tirar a calcinha – simbolicamente o muro que nos separa – ela se entrega. Geme. Arranha. Puxa. Pede. Eu? Eu atendo. Estou mesmo é atrás do meu pagamento. Lá fora está frio e eu estou pobre. Leia mais…