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Prazer, amante. Conheça-me!

O amantePrazer! Eu sou o pavor dos homens, a verdade inexorável para as mulheres. Em algum momento da sua vida, caro(a) leitor(a), eu vou aparecer. Isso tudo, claro, caso eu não esteja a habitando agora, quem sabe? Mesmo que eu não exista. Coexistirei na dúvida eterna. Vou consumir seu sono. Serei a mola mestre do seu estresse. Apesar de tudo, não se espante com a minha face horripilante. Salvo vidas, há quem diga.

Nunca me relacionei por muito tempo. Dois dedos de rotina e eu largo a xícara. Nasci para ser o outro. Sabe por quê? Odeio DR’s. Odeio planejar o Natal. Deus me livre em ter que almoçar na casa dos outros. Não tenho apetite para o prato principal da falsidade. Troco risos frouxos pelas suas lágrimas.

Você pode me chamar de ranzinza, é verdade. Mas, antes, deixa eu lhe dizer uma coisa. Quando sua mulher me procura, é para me dar o melhor. Não entendeu? Eu explico. Sabe aquele sexo visceral de reconciliação? Tenho sempre! Não vejo rostos amassados de sono. Vejo faces sempre maquiadas – ah! a mais doce das mentiras -, que em minutos vão denunciar gotas escuras de rímel de prazer.

Não ouço reclamações. É o tempo de chegar, jogar as roupas no chão e… ir embora. Provavelmente você vai ligar em minutos perguntando: ‘Amor, o que você comprou para comer?’ Quando descobrir meu nome, pense bem antes de me matar. Eu salvei alguns anos do seu casamento. Por outro lado, não se preocupe. Tenho prazo de validade curto. Seis transas e um feriado – este porque, acredite, existe resquício de amor na devassidão.

Já ouvi todo tipo de xingamentos. Quando o traído me encontra, repete todos os impropérios que a sua amada me dizia, só que na cama, absorta na embriaguez do desejo. Quanta ironia! Antes, cuidado com a prepotência. Até Richard Gere já viveu um enganado. E quer saber? Você me insulta porque conhece exatamente como a banda toca por aqui.

Ah! Deixa eu ir agora. Meu celular está na sala e tá tocando. Deve ser a nova Bovary – me sinto um Garrincha a driblar um João, meu Deus. O coitado do marido dela é médico. O sujeito emenda plantões e chega em casa cansado. Ganha 15 pau por mês, nada mal. Ela se casou pela vida que ele a oferece. Foram 15 anos do desalmado estudando medicina. Bacana, né? Nem tanto. Na hora que o apêndice existencial aperta, sou eu quem responde pelo socorro. Graças a Deus!

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