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Archive for the ‘Colaboradores’ Category

Um lugar para chamar de seu

Por Paulo Vitor Bernardo

Todo mundo, por mais que digam o contrário, precisa de um lugar pra chamar de seu. Não me limito a espaços geográficos, físicos ou delimitados – qualquer lugar, é lugar. E tampouco me limito a questões cronológicas: um lugar que hoje você chama de seu, amanhã pode lhe parecer estranho e assim por diante.

Acredito que nós, seres humanos, somos totalmente adaptáveis a quaisquer condições que nos ofereçam – as boas e também as ruins. Obviamente as boas são sempre muito mais bem-vindas! E que sejam. Sempre!

Dividir um sonho, sonhar um amor, partilhar uma angústia, multiplicar o dinheiro – só assim pra sobrar no fim do mês – fazer compras de supermercado, dias nublados, noites de calor, cama desarrumada (…) Quando imagino em “um lugar para chamar de meu”, penso em um lugar que – um dia sequer – todos deveriam conhecer: o amor. Leia mais…

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Ciclo vicioso ou virtuoso? O futuro a quatro mãos

Por Paulo Vitor Bernardo

O relógio desperta. Desperta a dor de mais um dia. Levantar-se parece um sacrifício. Abro a janela. Os raios de sol chegam até a cama. Dia ensolarado, céu sem uma nuvem sequer.

O dia pede pra chegar. Ligo o som. Faço um café forte. Acendo um cigarro. Deixo a água cair pela cabeça tal qual fosse uma cachoeira em queda livre. Renovo-me. Troco a roupa e mais um dia que começa.

Tudo na vida é cíclico. E se pensarmos de forma matemática, nenhum círculo tem fim. O começo sempre se encontra com o fim e assim por conseguinte. Portanto me questiono: onde tudo muda? E eu mesmo tomo a liberdade de me responder: tudo muda a partir do momento em que queremos que tudo mude. E assim estou. Viver novos projetos, ter novas responsabilidades implica que a mudança esteja implícita em tudo que fazemos. Leia mais…

Ensaio sobre as periguetes

Por Pedro Rodrigues Almeida

Em um sábado qualquer estava eu caminhando para minha casa quando me deparo com uma cena um tanto apavorante para um garoto dos anos 90. Tento arrancar todos os determinismos óbvios daquela que situação, e, fracassando, sou tomado por uma onda misteriosa de desolamento. Acabo de ver uma mini-periguete!

Continuo no mesmo passo até que atravesso o caminho oposto ao que a moçoila faz, e então, já não mais apavorado, sigo meu caminho e ponho-me a pensar sobre o que acabei de ver, e sobre todas as outras situações em que topei com periguetes que são mais velhas do que aquela que eu recusaria de chamar do mesmo.

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O divórcio entre o amor e o sexo

Existe a real separação do amor com o sexo?No mundo animal o sexo está ligado ao cheiro. As fêmeas emitem odores para atrair uma variedade de machos para que depois escolham entre eles o seu parceiro, ou os machos entram em confronto para que copule aquele que for mais apto. Nós, ao contrário, disfarçamos nossos odores com perfumes das mais variadas fragrâncias para que possamos atrair nosso parceiro. Como seres mais complexos, usamos mais que somente cheiros para atraí-los. Também fazemos uso da imagem, da inteligência e da fala para formarmos laços que se dão na maioria das vezes por trocas de identificações.

Há quem diga que opostos se atraem, eu tenho minhas duvidas e esclarecerei mais a frente. O que quero tratar agora é da nossa forma de atrair parceiros e paralelamente o sexo.

Nos anos 60 houve todo um movimento de ‘faça amor, não faça guerra’. Hoje já não lutamos pelo fim das guerras, mas estamos numa constante guerra travestida em disputa inclusive disputa sexual. Disputamos tudo, desde lugar na fila até o inexistente ‘ser o melhor’. Isso também se dá nas relações sexuais, aqueles que querem ter o maior pinto e entre as que querem ser a mais gostosa, o que é absolutamente baseado nas indústrias pornográficas. Aposto que para se conseguir o mérito do maior pênis muitos homens vão recusar medi-los todos nus um do lado do outro. Leia mais…

Você tem medo de quê?

Sempre no final das férias eu faço uma pequena arrumação no meu armário. Jogo fora os papéis inúteis, encontro outros que estão adormecidos que parecem como uma verdadeira ferida que não desejo encontrar no meio de tanta tranqueira, acumulada ao longo da vida.

Tem sempre um caderno velho que mostra o quanto mudastes; aquela letra diferente que escreveu ‘eu te amo’ e não consegue se lembrar quem foi. Outras são pequenos bilhetes e cartas que você guardou daquele sujeito tão especial que apenas dizia: ‘Qual é a resposta da número 3?’.

Inegavelmente me recuso a me desfazer dessas pequenas lembranças e penso em colocá-las num cantinho que provavelmente não vou mexer ao longo de alguns meses. Por outro lado, penso que só retirei tudo aquilo, pois necessitava de mais espaços. Então falo a mim mesmo: “Não tem jeito, vai ter que ir pro lixo. Mas dá uma pena… não tem jeito… tsc!” Seguro mais um estante na minha mão; leio e me recordo daquele episódio, mas jogo no lixo. Continuo a faxina e quanto aparece aquilo que você menos queria ver: Uma herança de um relacionamento mal resolvido. Desconforto indizível! Escondo-a entre os livros que já li e que no momento não são mais úteis. Uma autêntica repressão, nem faço questão de ler. Leia mais…

Onde está a alma gêmea?

Por Pedro Rodrigues Almeida

A relação entre duas pessoas vem de uma profunda identificação. No fundo da alma existe a imagem de uma pessoa ideal. Muitos passam toda a vida buscando encontrar a pessoal ideal. Na Psicologia Analítica esta identificação se dá entre o ego, a pessoa central e interna da personalidade, com a outra pessoa. Este ego representaria o eixo central da personalidade, diferente da pessoa social, que somos no cotidiano e que exige que representemos vários papéis ao longo da vida, seja de filho, pai, médico ou advogado. É natural que representemos papéis ao longo da vida, porém, é necessário que, para maior bem-estar, centralizemos nossa personalidade neste Ego, fazendo com que ele funcione como o sol para o sistema solar. É um processo árduo que se dá ao largo da vida e foi nomeado pelo psiquiatra Jung como o Processo de Individuação. A partir dessa idéia, poderemos analisar melhor um fato comum em nossos tempos. Leia mais…

O Facebook, o vestido tubinho e o desejo humano

dezembro 19, 2011 2 comentários

Sabe-se que o desejo do homem é o desejo de desejo, ou seja, o desejo de que o desejem, ele deseja ser desejado.  Isso é absolutamente normal, é a síntese que a Psicanálise propõe ao desejo humano. O que temos visto hoje é um homem absolutamente desejante, mas não nos enganemos, o homem sempre foi movido por um desejo sem fim e isso o torna um ser brilhante, um ser infinito em potencial. O desejo é o motor que move o homem para todas as direções, que o faz buscar coisas ao seu redor para tamponar esta força que fica entre o psíquico e o corpo. Leia mais…