Certezas desconhecidas

Mais um dia. A solidão aperta. A porta de casa se transforma em esperança. Nesses dias decisivos da vida, a falta de uma companhia me lacera. Escancara meu vazio particular. Saio. A rua me oferece rostos, decotes, vidas. A cada segundo, a esperança de amor num olhar correspondido se esvai na mesma velocidade que chegou. Quem sabe talvez em um esbarrão.

Aquela entrevista pode realizar meu sonho. Chamo o elevador. Na interminável viagem de oito andares, minha imaginação vagueia. Ao considerar as implicações do novo emprego, minha mente projeta a possibilidade de me casar com uma futura colega de trabalho. Quem sabe talvez um acaso. Leia mais…

Anúncios

O que foi, amor? Nada não!

Ontem ele me perguntou se havia algo de estranho comigo. Respondi com o clássico: nada não! Mas será que ele não percebe o que há de errado? Pior. Ele acredita que de fato nada está acontecendo. Passivamente, ele aceitou a mentira.

Mas como assim nada não? As ligações constantes acabaram. Viraram protocolo. Não há mais o sentimento de preocupação após horas sem nos falarmos. Nem mesmo aquele simples toque para perguntar: você está precisando de mim? Talvez nosso amor tenha esfriado. Leia mais…

Chove lá fora. A casa é nova. Se você for ela – ou o Bauman – não leia

Chove lá fora. A casa é nova. Parece não ser minha. Talvez ela esteja mais à vontade do que eu. Calça jeans não é boa pra dormir, mas ela não tem roupas aqui. Ofereço meu short e uma camiseta larga. Confesso, fica lindo.

Chove lá fora. A casa é nova. Ainda estou me acostumando. Levanto e vou fazer um café. Ela me segue e pergunta quais são meus projetos de vida. Não sei o que dizer. Respondo que ela fica exuberante sem toda aquela produção. Com um sorriso safado, ela esquece a resposta. Leia mais…

Ensaio sobre as periguetes

Por Pedro Rodrigues Almeida

Em um sábado qualquer estava eu caminhando para minha casa quando me deparo com uma cena um tanto apavorante para um garoto dos anos 90. Tento arrancar todos os determinismos óbvios daquela que situação, e, fracassando, sou tomado por uma onda misteriosa de desolamento. Acabo de ver uma mini-periguete!

Continuo no mesmo passo até que atravesso o caminho oposto ao que a moçoila faz, e então, já não mais apavorado, sigo meu caminho e ponho-me a pensar sobre o que acabei de ver, e sobre todas as outras situações em que topei com periguetes que são mais velhas do que aquela que eu recusaria de chamar do mesmo.

Leia mais…

Meu adorável cafajeste. Por que eles despertam tanto desejo?

Por que cafajestes nos chamam tanto a atenção? Por que, mesmo estando fora de qualquer padrão racional, este tipo de personalidade ainda desperta nosso desejo? Por que não resistimos a estas figuras mesmo sabendo que estamos sendo enganados por eles? Perguntas que estão na moda no campo dos relacionamentos. Dúvidas que colocam em xeque o real poder da racionalidade nas decisões. E apesar de todo o discurso politicamente correto dos inteligentes e dos bons moços e moças, na prática, são eles, os cafajestes, que saem com a vantagem. E que vantagem.

Antes de tentar responder essa pergunta, recorri a algumas crônicas e reportagens sobre o assunto.  As crônicas, mesmo trazendo boas teorias, deixavam falhas. Normal. Quem teria a pretensão de fechar um dilema histórico em apenas um texto? No caso das reportagens, só o desejo das mulheres é abordado. E, eu? Bem, eu tenho a minha teoria. Leia mais…

O miojo, o sexo e a velocidade

Três minutos e está pronto. De fato o miojo mudou a dieta nutricional de uma geração com sede de velocidade. Velocidade para suprir a fome, que não pode esperar. Tudo precisa ser aqui e agora, amanhã demora muito para chegar. Vivemos como se estivéssemos à beira da morte: curta tudo porque amanhã você pode não estar mais aqui.

O sucesso da rapidez e saciedade do miojo talvez tenha levado a geração apressada a adotar este conceito também para o campo das relações. A fome sentimental apresenta-se tão implacável quanto à fome que incomoda o estômago. Para suprir esse anseio da alma, mais uma vez a velocidade foi utilizada como solução. Leia mais…

A carência que nos afasta

Desejo e medo. Duas palavras que cercam os atuais relacionamentos. Ao mesmo tempo em que desejamos – e somos carentes – lidamos com o medo constante do tropeço dos relacionamentos.

Pessoas carentes – e sim, você já foi uma delas – colocam o medo em uma escala superior ao do desejo. Cada passo parece ser decisivo, sem chance de erro. Ao entrar em um relacionamento sugam tudo de uma só vez. Leia mais…